A mediação administrada pela Câmara de Comércio Internacional reuniu 81 partes de 33 países em 2025. Foram 36 pedidos de mediação dentro de um conjunto de 65 novos casos conduzidos pelo Centro Internacional de ADR, que também administra procedimentos com especialistas, dispute boards e outros serviços.
A presença geográfica é significativa, mas a diferença de escala em relação às 881 arbitragens registradas no mesmo período chama atenção. Os números não permitem medir toda a mediação empresarial, porque grande parte dos procedimentos acontece de modo ad hoc, confidencial ou sem administração institucional. Ainda assim, ajudam a visualizar o espaço existente para crescimento.
A mediação pode ser utilizada antes de uma arbitragem, durante o procedimento arbitral ou de forma independente. Seu desenho permite delimitar temas, preservar relações comerciais e construir soluções que um tribunal talvez não pudesse impor, como reprogramação contratual, reorganização de entregas ou novas condições de cooperação.
O uso reduzido não decorre necessariamente de ausência de conflitos mediáveis. Barreiras culturais, cláusulas mal desenhadas, falta de informação, receio de demonstrar fragilidade e início tardio das conversas podem impedir que as partes experimentem uma via consensual quando ainda há espaço para negociação.
Além das mediações, a ICC registrou 25 novos procedimentos envolvendo especialistas, com maior presença dos setores de construção e energia. O dado reforça a tendência de combinar diferentes mecanismos — negociação, mediação, perícia, dispute boards e arbitragem — conforme a natureza e o estágio da controvérsia.
Para o ecossistema brasileiro, o contraste entre alcance geográfico e volume de casos oferece uma pergunta relevante: quantos conflitos empresariais poderiam ser resolvidos mais cedo se contratos, advogados, gestores e instituições incorporassem a mediação de maneira mais estratégica? A resposta depende de dados melhores e de experiências que permitam medir resultados, duração e preservação de relações.
Referências consultadas
- Estatísticas de resolução de disputas da ICC

