A Corte Permanente de Arbitragem, conhecida internacionalmente pela sigla PCA e também referida em português como CPA, anunciou em 3 de setembro a ampliação de seu escritório em Buenos Aires. A unidade passa a ocupar novas instalações dentro do Palácio San Martín, sede histórica do Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

O fato novo não é a abertura de um escritório no país. A operação de Buenos Aires existe desde 2019 e foi a primeira unidade da Corte nas Américas. A mudança anunciada agora corresponde a uma nova etapa de crescimento, com espaço ampliado e maior capacidade para apoiar serviços de resolução internacional de disputas na Argentina e em outros países latino-americanos.

Segundo a comunicação institucional, o Ministério das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da Argentina facilitou a transferência para as novas dependências. O anúncio não informa metragem, investimento financeiro, número de postos adicionados nem data de inauguração pública; esses elementos, portanto, não podem ser inferidos a partir da expansão.

O Palácio San Martín já oferece salas de audiência e de reunião que podem ser utilizadas por tribunais arbitrais e pelas partes em procedimentos administrados pela Corte. A localização em um complexo diplomático não transforma os julgamentos arbitrais em atos do governo argentino nem altera a independência dos árbitros. Trata-se de infraestrutura destinada ao apoio administrativo e logístico dos casos.

A Corte Permanente de Arbitragem é uma organização intergovernamental criada em 1899. Apesar do nome, ela não funciona como um tribunal permanente formado por juízes que recebem automaticamente todas as controvérsias. Sua Secretaria presta apoio a tribunais e comissões constituídos para cada procedimento, administra comunicações e recursos e pode oferecer suporte técnico, financeiro e de audiência.

O alcance de sua atuação também vai além das arbitragens entre Estados. A instituição administra disputas envolvendo Estados, entidades estatais, organizações internacionais e partes privadas, inclusive procedimentos baseados em tratados de investimento e contratos. Também pode apoiar conciliações, comissões de investigação e outras formas de solução de controvérsias quando houver base jurídica e consentimento adequados.

Em Buenos Aires, a representação da Corte na República Argentina é exercida pelo advogado sênior Julian Bordaçahar. A representante adjunta é Julieta Cappelletti. A identificação dessas funções é institucional e não significa que seus ocupantes atuem como árbitros em todos os casos vinculados ao escritório.

A presença local reduz obstáculos práticos que costumam acompanhar disputas internacionais: organização de audiências, disponibilidade de salas, coordenação documental, diferenças de fuso horário e contato com usuários da região. A ampliação não modifica, por si só, a sede jurídica de arbitragens existentes nem desloca automaticamente procedimentos para a Argentina.

Também não houve anúncio de novas regras, tabela de custos, mecanismo recursal ou lista de árbitros. A escolha da sede, do regulamento, do idioma e dos julgadores continua dependendo da convenção aplicável, das decisões das partes e do tribunal e, quando cabível, das funções administrativas atribuídas à Corte.

Para a América Latina, o movimento tem relevância institucional porque reforça uma estrutura regional capaz de atender procedimentos que envolvem governos, empresas e organizações internacionais sem exigir que toda a operação seja concentrada na sede da Corte, no Palácio da Paz, em Haia.

A expansão em Buenos Aires ocorre no mesmo período em que a Corte amplia sua rede de facilitação em outras regiões. Em 2 de setembro, a instituição assinou com a Tailândia um acordo de país-sede para viabilizar procedimentos naquele território. Os movimentos são juridicamente distintos: na Argentina, houve expansão de um escritório já existente; na Tailândia, foi assinado um marco de privilégios e imunidades para procedimentos, sem anúncio de sede permanente.

O efeito concreto da nova estrutura deverá ser observado na capacidade de atendimento e na utilização das instalações em futuros procedimentos. Por enquanto, o fato confirmado é organizacional: a unidade de Buenos Aires ganhou novas dependências no Palácio San Martín para sustentar a demanda regional por serviços de arbitragem e solução internacional de controvérsias.

Referências consultadas

  1. Corte Permanente de Arbitragem — Expansion of the PCA Buenos Aires Office, 3/9/2026
  2. Corte Permanente de Arbitragem — informações institucionais do escritório de Buenos Aires, consulta em 6/9/2026
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