Sessões saem do calendário após o pedido de vista

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu a sessão extraordinária prevista para 17 de setembro e adiou a análise da Petição nº 16.704, que estava marcada para o dia 23. O despacho não informou nova data para o julgamento.

A retirada de pauta foi relacionada ao pedido de vista de Flávio Dino na sessão de 15 de setembro. A questão de ordem interrompida discute se os procedimentos ligados a Alexandre de Moraes e André Mendonça devem tramitar juntos ou separadamente e se a relatoria assumida por Fachin deve ser redistribuída.

Pedido de vista deixa voto de Dino em aberto; placar parcial é de 4 a 3

Durante a sessão, Flávio Dino se manifestou no sentido de acompanhar a questão de ordem de Gilmar Mendes, favorável à reunião dos procedimentos. Essa manifestação foi incluída na contagem inicialmente divulgada como 4 a 4. Ao pedir vista, porém, seu voto ficou em aberto e não foi computado no placar ao encerramento da sessão: 4 a 3 pela manutenção dos casos separados. A indefinição permaneceu, sem decisão definitiva sobre a questão de ordem.

Pela manutenção dos procedimentos separados, votaram Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Pela reunião, foram computados os votos de Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. A questão de ordem também envolve a redistribuição da relatoria. O pedido de vista suspendeu o julgamento, sem resultado definitivo.

Fachin vota por manter os casos separados e prosseguir hoje

Ao abrir a votação da questão de ordem, Edson Fachin rejeitou a proposta de reunir os procedimentos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça e afastou, em seu voto, a consequente redistribuição. O presidente do STF defendeu que o Plenário prossiga nesta terça-feira com a Petição nº 16.662, que trata dos elementos envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro.

Sessão é retomada e Plenário examina questão de ordem

O Supremo retomou a sessão extraordinária às 15h desta terça-feira, depois do intervalo anunciado por Edson Fachin. Na sequência, o julgamento passou ao exame das controvérsias processuais levantadas por Gilmar Mendes e Flávio Dino.

Sessão é suspensa; questões de ordem vêm antes do mérito

Edson Fachin suspendeu temporariamente a sessão no início da tarde em razão do horário eleitoral gratuito e anunciou a retomada para as 15h. O intervalo interrompeu os trabalhos, mas não encerrou o julgamento.

Na reabertura, o Plenário deverá examinar primeiro a questão de ordem que reúne três propostas: adiar a análise para 23 de setembro, avaliar a reunião dos procedimentos relativos aos magistrados mencionados em documentos do caso Master e sortear novo relator. A definição dessas questões processuais poderá alterar o itinerário do julgamento antes de eventual exame da abertura de investigação.

Sessão extraordinária começa no Plenário

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu na manhã desta terça-feira, 15 de setembro, a sessão extraordinária que examina qual encaminhamento deve ser dado às informações envolvendo Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Fachin iniciou a leitura do relatório da Petição nº 16.662, etapa anterior às manifestações e aos votos.

Na abertura, Fachin reconheceu que a Corte atravessa um período difícil e sustentou que o julgamento deve se concentrar em fatos e questões jurídicas. Também defendeu serenidade, colegialidade e respeito às divergências, distinguindo o debate institucional do confronto pessoal. A decisão, afirmou em síntese, pertence ao Plenário, e não a um ministro isoladamente.

Nunes Marques declara impedimento; Toffoli, suspeição

Durante a sessão, Kassio Nunes Marques declarou-se impedido e informou que não participaria da votação. Dias Toffoli, por sua vez, declarou suspeição por foro íntimo e também se afastou da deliberação, embora tenha permanecido no Plenário para acompanhar os trabalhos.

Relatoria é questionada e Dino pede adiamento

Gilmar Mendes e Flávio Dino questionaram durante a sessão a decisão de Edson Fachin de assumir a relatoria dos procedimentos ligados ao Banco Master. Os dois sustentaram que o Regimento Interno do STF exigiria distribuição por sorteio. Fachin ainda não havia submetido essa controvérsia a uma decisão definitiva do colegiado até o fechamento desta atualização.

Dino formalizou pedido de adiamento dirigido a Gilmar Mendes, na condição de decano e substituto legal em determinadas hipóteses, para que os julgamentos relacionados ao caso Master sejam reunidos em 23 de setembro. O pedido é uma questão preliminar: sua apresentação não suspende automaticamente a sessão nem transfere a relatoria.

Moraes e Mendonça trocam acusações no Plenário

Ao se manifestar, Alexandre de Moraes afirmou que a apuração teria motivação político-eleitoral e acusou André Mendonça de agir para incluí-lo indevidamente no caso. Mendonça reagiu de imediato, negou as afirmações e contestou a versão apresentada pelo colega. A discussão também alcançou a atuação da Polícia Federal e a forma de produção dos relatórios.

O ministro Alexandre de Moraes apresentou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma manifestação de 44 páginas antes da sessão extraordinária desta terça-feira, 15 de setembro. No documento, divulgado durante a madrugada pela Folha de S.Paulo e pelo UOL, Moraes nega ter favorecido o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ou o Banco Master, contesta a validade da apuração conduzida por André Mendonça e pede a realização de diligências.

A manifestação é a versão formal de Moraes sobre as informações que serão examinadas pelo Plenário. O ministro sustenta que não há mensagem de sua autoria indicando conselho, ajuda ou favorecimento a Vorcaro; afirma que não atuou em processos do banco ou do escritório de sua esposa; e considera ilegais atos investigativos praticados sem provocação do Ministério Público. Também pede que sejam ouvidas pessoas mencionadas em relatos sobre reuniões e supostas pressões envolvendo a Polícia Federal.

PGR pede esclarecimento sobre relatório completo do Coaf

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin que esclareça se André Mendonça chegou a decidir requerimento apresentado pela Polícia Federal em 10 de março para acessar a íntegra de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A parte tornada pública da Petição nº 15.645 não registra resposta posterior ao pedido, segundo o UOL.

O relatório disponibilizado omite informações relativas a pessoas com foro por prerrogativa de função. A PF argumentou que a autorização judicial é necessária para superar o bloqueio administrativo do Coaf e completar o rastreamento financeiro. O gabinete de Mendonça entende, de acordo com o veículo, que a resposta está em outro procedimento, aberto em março e ainda sob sigilo. Não há confirmação pública do teor dessa eventual decisão.

Moraes também recebe cópia dos dados

O UOL informou na noite de 14 de setembro que a Polícia Federal entregou cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro a Moraes, além das cópias já disponibilizadas a Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. O comprovante dessa terceira entrega não estava acessível na consulta pública do STF; por isso, a informação é atribuída à reportagem.

O compartilhamento reservado permite que os gabinetes examinem o contexto do material antes da votação. Ele não equivale à divulgação pública dos dados, não elimina as regras de sigilo e cadeia de custódia e não representa juízo sobre autenticidade, validade ou responsabilidade.

Sessão começa às 10h

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta segunda-feira, 14 de setembro, a sequência prevista para a sessão extraordinária que examinará a Petição nº 16.662 na terça-feira, 15, a partir das 10h. O presidente da Corte e relator do procedimento, Edson Fachin, abrirá os trabalhos, apresentará o relatório, delimitará o objeto em julgamento e votará primeiro.

Depois da leitura do relatório, a Procuradoria-Geral da República poderá se manifestar. Estão previstas sustentações orais, seguidas do voto de Fachin e dos demais ministros em ordem inversa de antiguidade — do integrante mais recente ao mais antigo. Ao final, a Presidência proclamará o resultado. Rádio Justiça, TV Justiça e o canal oficial do tribunal no YouTube deverão transmitir a sessão ao vivo.

EtapaRito divulgado para 15 de setembro
AberturaÀs 10h, com a rotina inicial e aprovação da ata da sessão anterior.
RelatórioFachin apresentará os fatos processuais e delimitará o objeto da Petição nº 16.662.
ManifestaçõesA PGR poderá falar; depois, haverá espaço para sustentações orais.
VotaçãoFachin votará primeiro; os demais seguirão a ordem inversa de antiguidade.
ConclusãoA Presidência proclamará o resultado formado pelo colegiado.

O que o Plenário deverá decidir

O colegiado deverá definir o encaminhamento processual das informações reunidas na Petição nº 16.662 — inclusive se há base para abrir investigação ou se o procedimento deve ser arquivado. A definição do rito não antecipa esse resultado, não valida o conteúdo das mensagens e não reconhece responsabilidade de qualquer pessoa mencionada.

O ministro André Mendonça retirou nesta segunda-feira, 14 de setembro, o sigilo da Petição nº 15.645, que reúne pedido da Polícia Federal e relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a rede de pagamentos atribuída a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. O cumprimento ocorreu no sistema processual, depois de determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, assumiu na noite de sábado, 12 de setembro, a relatoria do procedimento que reúne informações sobre mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.

A decisão retirou do ministro André Mendonça a condução da Petição nº 16.662 e transferiu formalmente a relatoria para a Presidência da Corte. Fachin também determinou que as Petições nº 15.041 e nº 15.556, acompanhadas de todos os processos relacionados, fossem remetidas à Presidência.

A primeira está ligada à Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A segunda concentra investigações relacionadas ao Banco Master.

O que Fachin decidiu

O despacho produz três consequências principais. Primeiro, a relatoria da Petição nº 16.662 deixa de pertencer a André Mendonça e passa à Presidência do Supremo. O procedimento foi criado a partir de informação da Polícia Federal inicialmente inserida na Petição nº 15.556, relacionada ao Banco Master, para que o Plenário pudesse examinar fatos que alcançariam autoridade submetida à competência originária do Tribunal.

Segundo, Fachin determinou a remessa à Presidência da Petição nº 15.556, relativa ao Master, e da Petição nº 15.041, ligada às fraudes no INSS, com todos os processos relacionados. A determinação reúne os autos para exame institucional, mas não contém, por si só, mudança formal da relatoria integral desses dois procedimentos.

Terceiro, a sessão extraordinária de 15 de setembro foi mantida para que o Plenário examine especificamente a Petição nº 16.662. O colegiado deverá decidir qual encaminhamento processual será dado às informações envolvendo Moraes, inclusive se há condições jurídicas para a abertura de investigação ou se o procedimento deve ser arquivado.

O que mudou — e o que ainda não mudou

PontoSituação após a decisão de 12 de setembro
Petição nº 16.662A relatoria passou de André Mendonça para a Presidência do STF, exercida por Edson Fachin.
Caso Banco Master — Petição nº 15.556Os autos e processos relacionados devem ser remetidos à Presidência; não houve, nesse despacho, substituição formal da relatoria integral do caso.
Fraudes no INSS — Petição nº 15.041Os autos e processos relacionados também devem ser enviados à Presidência; a decisão não atribuiu automaticamente a Fachin a relatoria definitiva.
Procedimentos contra ministros do STFPermanecem submetidos à orientação anterior de suspensão e remessa preliminar à Presidência.
Caso envolvendo Alexandre de MoraesSerá examinado pelo Plenário em 15 de setembro, em sessão extraordinária.
Caso envolvendo André MendonçaPermanece separado por enquanto; a sessão antes prevista para 23 de setembro foi adiada sem nova data.
Dados extraídos do celularO original permanece sob custódia da PF; CNN Brasil confirmou cópias a Zanin e Gilmar, e o UOL informou a entrega também a Moraes.
Petição nº 15.645André Mendonça cumpriu a ordem de Fachin e retirou o sigilo no sistema. A abertura é parcial: dados relativos a pessoas com foro permanecem resguardados e o pedido de acesso apresentado pela PF ainda não tem decisão registrada.
Mérito das acusaçõesNão foi julgado. A decisão trata de competência, relatoria, instrução e organização processual.

Possível impedimento fundamentou a mudança

Ao transferir a Petição nº 16.662 para a Presidência, Fachin mencionou a possibilidade de incidência do art. 144, inciso IV, do Código de Processo Civil. O dispositivo prevê o impedimento do juiz quando ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente até o terceiro grau, figure como parte no processo.

O presidente do STF não declarou, nesse momento, que André Mendonça esteja definitivamente impedido. O despacho registra que o resultado da deliberação da Petição nº 16.662 pode produzir situação capaz de atrair a regra de impedimento. Diante desse risco processual, a relatoria foi transferida preventivamente para a Presidência.

A substituição foi determinada com fundamento no art. 13, inciso XV, do Regimento Interno do STF. O movimento procura evitar que um ministro potencialmente alcançado por desdobramentos da controvérsia permaneça responsável pela condução do procedimento que poderá defini-los. Trata-se de medida de governança judicial e preservação da regularidade processual, não de antecipação de culpa ou absolvição.

Por que a Petição nº 16.662 foi criada

A Petição nº 16.662 surgiu a partir da Informação de Polícia Judiciária IPJ-A nº 3298613/2026. O documento havia sido juntado à Petição nº 15.556, ligada ao Banco Master, juntamente com anexos e outros registros.

Segundo despacho de André Mendonça reproduzido na decisão da Presidência, o material recebeu tratamento autônomo porque identificaria pessoa cuja situação atrairia a competência do Plenário do Supremo, conforme o art. 5º, inciso I, do Regimento Interno da Corte e o art. 33, parágrafo único, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional.

Mendonça informou que liberou o procedimento para julgamento colegiado em 6 de setembro. Depois da decisão de Fachin, de 9 de setembro, que suspendeu procedimentos voltados a potenciais investigações contra integrantes do STF e determinou a remessa prévia dos autos à Presidência, o ministro encaminhou a Petição nº 16.662 ao presidente do Tribunal. Foi após esse envio que Fachin formalizou a substituição da relatoria.

Master e INSS: remessa não significa assunção definitiva

A Petição nº 15.556 trata de fatos relacionados ao Banco Master e deu origem à Petição nº 16.662. A Petição nº 15.041 está vinculada à Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS e já resultou em medidas cautelares autorizadas pelo Supremo.

Fachin determinou que ambos os procedimentos, acompanhados dos processos relacionados, sejam remetidos à Presidência. Essa centralização permite verificar possíveis conexões, conflitos de competência, sobreposição de decisões e a existência de fatos que alcancem membros do Tribunal.

Procedimentos foram separados; segunda sessão saiu da pauta

No mesmo sábado, Fachin rejeitou o pedido de Alexandre de Moraes para que os procedimentos envolvendo sua conduta e a atuação de André Mendonça fossem analisados conjuntamente. O presidente do Supremo considerou que os processos estão em fases distintas.

A Petição nº 16.662 já havia sido liberada para julgamento, enquanto a Petição nº 16.704, que reúne informações e manifestações relacionadas à atuação de Mendonça e a outros episódios da crise, ainda depende da conclusão da instrução preliminar.

  • 15 de setembro: julgamento da Petição nº 16.662, relacionada às informações sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes.
  • A Petição nº 16.704 estava prevista para 23 de setembro, mas a inclusão em pauta foi adiada sem nova data.

A separação busca impedir que matéria ainda não suficientemente instruída seja levada imediatamente ao Plenário e, ao mesmo tempo, permite que o procedimento já preparado receba resposta colegiada.

PF preserva o original e entrega cópias a ministros

A Polícia Federal respondeu em 13 de setembro à ordem de Fachin para esclarecer, em 24 horas, quem mantém a custódia e qual é o estado dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Em nota oficial publicada às 11h42, a instituição afirmou que o material original permanece integralmente em suas dependências, dentro de cadeia de custódia documentada, com lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital.

A PF esclareceu que o material entregue em março ao gabinete de André Mendonça era uma cópia produzida a pedido do próprio gabinete. O original, segundo a nota, nunca deixou a custódia policial. A instituição também informou dispor de condições técnicas para produzir e encaminhar cópias idênticas aos demais gabinetes que as solicitaram, desde que observadas as determinações da Corte e as cautelas de sigilo.

Depois dessa resposta, Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal entregasse a íntegra do conteúdo ao seu gabinete até as 23h do mesmo domingo. Às 10h05 desta segunda-feira, 14 de setembro, a Folha de S.Paulo informou que a ordem havia sido cumprida. Às 11h21, a CNN Brasil confirmou que a PF disponibilizou cópias a Zanin e Gilmar Mendes e que os dois gabinetes iniciaram a análise do material. As entregas são atribuídas às reportagens porque os comprovantes de remessa não estavam disponíveis no portal público do STF.

André Mendonça apresentou posição contrária ao compartilhamento amplo naquele momento. Sustentou que a inserção, às vésperas do julgamento, de elementos que não estavam nos autos poderia prejudicar investigações em curso e pediu que Fachin apurasse notícia de possível pressão interna sobre delegados para liberar o material. Trata-se de alegação submetida à Presidência, ainda sem decisão ou confirmação independente.

Gilmar recebe a cópia depois de reiterar o pedido

Às 20h26 de domingo, a CNN Brasil informou que Gilmar Mendes reiterou a Fachin o pedido de acesso à cópia integral dos dados. A solicitação original havia sido apresentada na sexta-feira, 11 de setembro; o novo ofício reforça a pretensão depois da resposta técnica da PF e da ordem expedida por Zanin.

Segundo a reportagem, Gilmar sustentou que os demais julgadores precisam examinar a integralidade e o contexto do material para avaliar eventuais omissões ou contradições no relatório que será apreciado pelo Plenário. A matéria não teve acesso público ao inteiro teor do ofício; por isso, o conteúdo é atribuído à fonte jornalística e não apresentado como decisão conferida em autos abertos.

Moraes pede abertura de outro processo antes do julgamento

Na noite de domingo, Alexandre de Moraes enviou ofício a Edson Fachin pedindo o levantamento do sigilo da Petição nº 15.645 e a disponibilização dos autos a todos os integrantes do Supremo antes da sessão de 15 de setembro. No documento, segundo informações convergentes publicadas pela CNN Brasil, pela Folha de S.Paulo e pelo UOL, Moraes afirmou que o procedimento contém elementos essenciais para o julgamento da Petição nº 16.662.

A Petição nº 15.645 foi distribuída por prevenção a André Mendonça e permaneceu sob sigilo mesmo depois da abertura de dezenas de procedimentos relacionados ao Banco Master. A Folha de S.Paulo e a CNN Brasil informaram que o processo reúne pedido da Polícia Federal e relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a rede de pagamentos atribuída a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.

Fachin encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República e solicitou manifestação com brevidade. Às 8h57 de 14 de setembro, a Folha informou que o vice-procurador-geral da República Hindemburgo Chateaubriand apoiou a retirada do sigilo por considerar o documento relevante para a compreensão integral do tema submetido ao STF. Às 12h15, a CNN Brasil noticiou que Fachin determinou a André Mendonça a retirada do sigilo. Às 15h04, o veículo confirmou que Mendonça havia cumprido a ordem diretamente no sistema processual.

Da reação individual à resposta institucional

A crise no Supremo se intensificou com a divulgação de relatórios, mensagens e acusações cruzadas envolvendo integrantes da Corte, autoridades da Polícia Federal e pessoas investigadas nos casos Master e INSS.

Em 9 de setembro, Fachin já havia suspendido decisões conflitantes sobre a direção da Polícia Federal, determinado que procedimentos potencialmente voltados contra ministros fossem previamente submetidos à Presidência e transferido para a Presidência a condução futura do Inquérito nº 4.781, conhecido como inquérito das fake news.

As novas medidas aprofundam a tentativa de substituir respostas individuais e concorrentes por um itinerário institucional: centralização preliminar na Presidência, delimitação dos objetos, instrução dos procedimentos e decisão do Plenário.

Continuam pendentes questões sobre competência, validade de elementos informativos, publicidade e sigilo, cadeia de custódia, impedimento, atribuições da Polícia Federal e condições para investigar integrantes do próprio Supremo. O que muda é o lugar em que essas questões deverão ser decididas: a Presidência e o colegiado.

O que observar nos próximos dias

  1. A eventual solicitação e entrega de cópias integrais aos demais ministros.
  2. A eventual decisão de André Mendonça sobre o pedido da PF para acessar dados de pagamentos relacionados a pessoas com foro.
  3. A delimitação efetiva do objeto por Fachin e a participação dos ministros diretamente relacionados aos fatos na sessão de 15 de setembro.
  4. A decisão do Plenário sobre o encaminhamento da Petição nº 16.662.
  5. A conclusão da instrução da Petição nº 16.704 e a definição de nova data para sua análise.

Uma crise sobre o funcionamento da própria Justiça

O episódio ultrapassa as investigações específicas do Banco Master e do INSS. Ele coloca em discussão como o Supremo deve reagir quando informações potencialmente relevantes alcançam seus próprios integrantes e diferentes gabinetes adotam providências simultâneas sobre fatos relacionados.

Competência, imparcialidade, impedimento, transparência, colegialidade e cadeia de custódia deixaram de ser conceitos abstratos. Passaram a determinar quem pode conduzir os procedimentos, quais informações estarão disponíveis, em que momento o Plenário poderá deliberar e como a Corte preservará a legitimidade de suas decisões.

A resposta institucional ainda está em construção. A mudança de relatoria e a remessa dos processos à Presidência organizam o percurso, mas não antecipam o destino. A definição sobre abertura de investigação, validade das informações e eventual responsabilidade dependerá das próximas decisões do Supremo.

Referências consultadas

  1. Supremo Tribunal Federal — Sessão Extraordinária de 15/9/2026, transmissão oficial ao vivo
  2. Supremo Tribunal Federal — consulta processual da Petição nº 16.662
  3. Supremo Tribunal Federal — consulta processual da Petição nº 16.704
  4. Supremo Tribunal Federal — consulta processual da Petição nº 15.556, relacionada ao caso Banco Master
  5. Supremo Tribunal Federal — consulta processual da Petição nº 15.645
  6. Supremo Tribunal Federal — consulta processual da Petição nº 15.041, ligada à Operação Sem Desconto
  7. Migalhas — Fachin centraliza na Presidência processos ligados ao Master e ao INSS, 12/9/2026
  8. Migalhas — Fachin nega pedido de Moraes e mantém julgamentos separados no STF, 12/9/2026
  9. Migalhas — Fachin dá 24 horas para PF informar situação dos dados do celular de Vorcaro, 12/9/2026
  10. Agência Brasil — PGR repete pedido por acesso integral a dados de Vorcaro, 12/9/2026
  11. Polícia Federal — nota sobre custódia, integridade e possibilidade de produzir cópias idênticas, 13/9/2026
  12. Folha de S.Paulo — Zanin determina acesso integral aos dados e fixa prazo para entrega, 13/9/2026
  13. Folha de S.Paulo — Mendonça se opõe ao compartilhamento amplo e pede apuração sobre possível pressão interna na PF, 13/9/2026
  14. CNN Brasil — Moraes pede novo levantamento de sigilo antes da sessão de 15 de setembro, 13/9/2026
  15. Folha de S.Paulo — Moraes pede acesso à Petição nº 15.645 e Fachin consulta a PGR, 13/9/2026
  16. UOL — Moraes pede a Fachin acesso à Petição nº 15.645, 13/9/2026
  17. CNN Brasil — Gilmar Mendes reitera pedido de acesso aos dados do celular de Vorcaro, 13/9/2026
  18. Folha de S.Paulo — PGR apoia retirada do sigilo da Petição nº 15.645, 14/9/2026, 8h57
  19. Folha de S.Paulo — cópia integral dos dados chega ao gabinete de Cristiano Zanin, 14/9/2026, 10h05
  20. CNN Brasil — PF disponibiliza cópias a Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, 14/9/2026, 11h21
  21. CNN Brasil — Fachin determina retirada do sigilo da Petição nº 15.645, 14/9/2026, 12h15
  22. CNN Brasil — Mendonça cumpre a ordem e abre parcialmente a Petição nº 15.645, 14/9/2026, atualização às 15h04
  23. Folha de S.Paulo — rito da sessão extraordinária, atualização às 20h32 de 14/9/2026
  24. UOL — sequência dos trabalhos e transmissão pública, atualização às 18h09 de 14/9/2026
  25. UOL — manifestação de 44 páginas apresentada por Alexandre de Moraes, atualização às 5h14 de 15/9/2026
  26. Folha de S.Paulo — defesa de Moraes antes da sessão do STF, 15/9/2026
  27. UOL — PGR pede esclarecimento sobre acesso da PF ao relatório completo do Coaf, atualização às 20h28 de 14/9/2026
  28. UOL — PF entrega cópias dos dados a Zanin, Gilmar Mendes e Moraes, 14/9/2026
  29. Folha de S.Paulo — Fachin abre a sessão e defende julgamento de fatos e questões jurídicas, 15/9/2026, 10h52
  30. CNN Brasil — íntegra da fala de abertura de Edson Fachin e acompanhamento da sessão, 15/9/2026, 10h59
  31. CNN Brasil — Nunes Marques declara impedimento e não participa da votação, 15/9/2026, 11h29
  32. UOL — impedimento de Nunes Marques e suspeição por foro íntimo de Toffoli, atualização às 12h21 de 15/9/2026
  33. UOL — Gilmar Mendes e Flávio Dino questionam a relatoria e defendem adiamento, 15/9/2026, 12h15
  34. UOL — troca de acusações entre Alexandre de Moraes e André Mendonça durante a sessão, 15/9/2026, 12h41
  35. UOL — suspensão da sessão e questões de ordem previstas para a retomada, 15/9/2026, 13h33
  36. CNN Brasil — retomada da sessão extraordinária às 15h, atualização de 15/9/2026 às 15h01
  37. UOL — placar de 4 a 2 pela reunião dos casos Moraes e Mendonça, atualização de 15/9/2026 às 17h16
  38. Metrópoles — acompanhamento ao vivo e placar de 4 a 2 na questão de ordem, atualização de 15/9/2026 às 17h22
  39. CNN Brasil — pedido de vista e placar parcial de 4 a 3, 15/9/2026, 18h43
  40. UOL — sem voto de Dino, placar fica 4 a 3 na questão de ordem, 15/9/2026, 18h47
  41. Folha de S.Paulo — pedido de vista de Flávio Dino e antecipação do voto de Cármen Lúcia, acompanhamento ao vivo de 15/9/2026
  42. Gazeta do Povo — acompanhamento ao vivo e voto de Fachin pelo prosseguimento, atualização de 15/9/2026 às 16h
  43. Folha de S.Paulo — Fachin suspende análise prevista para 23 de setembro e não define nova data, 17/9/2026, 12h38
  44. UOL — sessão de 17 de setembro é cancelada e julgamento sobre Mendonça é adiado, 17/9/2026, 12h20
Ver referências e documentos
Ver histórico de atualizações
  1. Registrada a suspensão da sessão extraordinária de 17 de setembro e o adiamento, sem nova data, da análise da Petição nº 16.704 antes prevista para o dia 23. Fachin relacionou a retirada de pauta ao pedido de vista de Flávio Dino e à controvérsia ainda aberta sobre reunião dos procedimentos e regularidade da relatoria.

  2. Esclarecida a contagem ao final da sessão: o placar parcial é de 4 a 3, pois o voto de Dino ficou em aberto após o pedido de vista. A informação anterior de 4 a 4 incluía sua manifestação favorável à proposta de Gilmar Mendes. Não houve decisão definitiva.

  3. Na cobertura em tempo real, foi informado empate de 4 a 4, incluindo a manifestação de Dino favorável à proposta de Gilmar Mendes. A contagem foi posteriormente esclarecida: após o pedido de vista, seu voto ficou em aberto e o placar parcial ao final da sessão foi de 4 a 3, sem decisão definitiva.

  4. Consolidado o placar parcial entre os votos já proferidos: Flávio Dino e Cristiano Zanin votaram pela reunião dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça, contra o voto de Edson Fachin. Na controvérsia sobre a relatoria, Dino e Zanin também votaram contra a permanência de Fachin, que votou por permanecer. Gilmar Mendes, autor da questão de ordem, já havia defendido a reunião e a redistribuição. A votação continua e ainda não alcança a eventual abertura de investigação.

  5. Flávio Dino e Cristiano Zanin acompanharam a questão de ordem arguida por Gilmar Mendes, divergiram de Edson Fachin e defenderam a reunião dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. A votação processual segue em curso e ainda não alcança a eventual abertura de investigação.

  6. Edson Fachin votou contra a reunião dos procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça e contra a redistribuição da relatoria, defendendo o prosseguimento do julgamento da Petição nº 16.662 nesta terça-feira. O pronunciamento abre a votação da questão de ordem e ainda não constitui decisão colegiada nem resolve a validade do relatório da PF ou a eventual abertura de investigação.

  7. Confirmada a retomada da sessão às 15h. O julgamento prosseguiu após o intervalo, ainda sem decisão colegiada publicada sobre as questões processuais ou a eventual abertura de investigação.

  8. Registrada a suspensão da sessão por Edson Fachin, em razão do horário eleitoral gratuito, com retomada anunciada para as 15h. Ao reabrir os trabalhos, o Plenário deverá examinar primeiro a questão de ordem sobre o adiamento para 23 de setembro, a possível reunião de procedimentos e o sorteio de novo relator. Até o horário, não havia decisão sobre essas propostas nem sobre a abertura da investigação.

  9. Incorporada ao portal a transmissão oficial ao vivo da sessão extraordinária, disponibilizada pelo canal verificado do Supremo Tribunal Federal no YouTube. O vídeo somente é carregado após o clique do leitor e permanece acompanhado de link direto para a fonte oficial.

  10. Registrados o questionamento de Gilmar Mendes e Flávio Dino à relatoria assumida por Edson Fachin, o pedido de adiamento formulado por Dino e a troca de acusações entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. Corrigida também a classificação jurídica: Nunes Marques declarou impedimento; Toffoli, suspeição por foro íntimo. Até o horário, não havia decisão sobre o adiamento nem sobre a abertura da investigação.

  11. Incluída a declaração de Dias Toffoli de que não participaria da votação, posteriormente esclarecida pelo próprio ministro como suspeição por foro íntimo, e não impedimento.

  12. Incluída a declaração de impedimento de Kassio Nunes Marques. O ministro não participará da votação sobre o eventual prosseguimento de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

  13. Registrado o início da sessão extraordinária: Edson Fachin abriu os trabalhos, iniciou a leitura do relatório e defendeu serenidade, colegialidade e exame de fatos e questões jurídicas, sem confronto pessoal. Até esta atualização, não havia decisão sobre a abertura de investigação.

  14. Incluída a manifestação de 44 páginas apresentada por Alexandre de Moraes antes da sessão: o ministro nega favorecimento, contesta a validade da apuração e pede diligências. Registradas também a cobrança da PGR sobre o acesso da PF ao relatório completo do Coaf e a entrega de cópia dos dados a Moraes, com atribuição às fontes jornalísticas.

  15. Incluído o rito divulgado para a sessão de 15 de setembro: abertura às 10h, relatório e delimitação do objeto por Fachin, possível manifestação da PGR, sustentações, voto do relator e votos em ordem inversa de antiguidade. A participação de ministros diretamente relacionados aos fatos permanece sem confirmação oficial pública.

  16. Confirmado o cumprimento da ordem de Fachin: André Mendonça retirou o sigilo da Petição nº 15.645. A atualização delimita a abertura, pois dados sobre pagamentos a pessoas com foro permanecem resguardados e o pedido de acesso formulado pela PF ainda não tem decisão registrada.

  17. Incluídas a entrega de cópias integrais a Cristiano Zanin e Gilmar Mendes e a decisão de Edson Fachin que determinou a André Mendonça a retirada do sigilo da Petição nº 15.645.

  18. Confirmada, com atribuição à Folha, a entrega da cópia integral ao gabinete de Cristiano Zanin; incluída também a manifestação favorável da PGR à retirada do sigilo da Petição nº 15.645.

  19. Incluída a reiteração de Gilmar Mendes para obter cópia integral dos dados antes da sessão de 15 de setembro, distinguindo o novo ofício do pedido original apresentado na sexta-feira.

  20. Acrescentados o pedido de Alexandre de Moraes para levantamento do sigilo da Petição nº 15.645 e o encaminhamento de Edson Fachin à PGR para manifestação urgente.

  21. Incluídas a resposta oficial da Polícia Federal sobre a custódia dos dados e a ordem de Cristiano Zanin para entrega de cópia integral ao gabinete até as 23h.

  22. Publicação inicial sobre a mudança de relatoria, a remessa dos processos à Presidência do STF e a separação dos julgamentos.