ArquipelJus
Voltar à publicaçãoReferências da publicação

Referências e documentos

Corte inglesa mantém arbitragem contra a Índia por investimento em alumina

Relação dos documentos, decisões, notícias e demais materiais consultados na elaboração desta publicação.

Referências consultadas

  1. National Archives — Republic of India v Ras Al Khaimah Investment Authority [2026] EWCA Civ 1358, 22/10/2026Origem: caselaw.nationalarchives.gov.uk
  2. Courts and Tribunals Judiciary — processo, audiência de maio e argumentos das partesOrigem: judiciary.uk

Elementos incorporados à apuração

  • A Court of Appeal da Inglaterra e do País de Gales rejeitou, por unanimidade, o recurso da Índia contra uma decisão que permitiu o prosseguimento de uma arbitragem de investimento proposta pela Ras Al Khaimah Investment Authority (RAKIA), entidade de investimentos de um dos emirados dos Emirados Árabes Unidos. O acórdão foi divulgado em 22 de outubro e mantém a devolução da controvérsia aos árbitros para exame do mérito.
  • A disputa nasceu de um projeto de alumina e alumínio no estado indiano de Andhra Pradesh. A RAKIA investiu na ANRAK Aluminium, companhia criada para construir e operar uma refinaria abastecida por bauxita de uma mineradora estatal. Em 2016, atos do governo estadual e a posterior comunicação da mineradora encerraram o contrato de fornecimento. A investidora sustentou que essas medidas violaram o tratado bilateral de proteção de investimentos firmado pela Índia e pelos Emirados Árabes Unidos em 2013.
  • A arbitragem, iniciada em dezembro de 2016 sob as regras da Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional (UNCITRAL), tem sede jurídica em Londres. Em laudo de 11 de maio de 2022, o tribunal arbitral concluiu que não tinha jurisdição: considerou que as medidas recaíam diretamente sobre as empresas e o contrato, atingindo apenas de forma indireta a participação de 12% que a RAKIA então mantinha na ANRAK. A definição do tratado exige uma ação estatal vinculante aplicada diretamente ao investimento.
  • A RAKIA contestou essa conclusão perante a Justiça inglesa, pelo mecanismo de revisão da jurisdição previsto na seção 67 da Arbitration Act de 1996. Em 20 de junho de 2025, a High Court anulou o laudo e determinou o retorno do caso aos árbitros. A Índia recorreu, defendendo que o investimento protegido se limitava às ações da companhia e que cancelar o fornecimento de matéria-prima não equivalia a uma medida aplicada diretamente a essas ações.
  • O voto principal, de Lord Justice Phillips, distinguiu o título societário de sua função econômica no tratado. A participação minoritária recebida em troca do aporte conserva o caráter de investimento no território indiano. Por isso, o exame da aplicação direta de uma medida precisa considerar o investimento representado por essa participação: os atos interromperam a fonte primária de bauxita do empreendimento no qual o capital foi aplicado. A proteção pactuada não fica restrita a medidas que alterem formalmente a titularidade ou a estrutura das ações.