O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à direção nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e à superintendência do órgão no Amazonas que apresentem, conjuntamente, um plano emergencial para fortalecer a conciliação agrária no estado. A iniciativa busca dar continuidade à prevenção e à mediação de conflitos no campo, com prioridade para o sul amazonense. O documento foi assinado em 14 de outubro e divulgado pelo MPF em 19 de outubro.
O plano recomendado reúne reforço de pessoal, recursos para sustentar as atividades e vistorias técnicas preventivas. A recomposição poderá ocorrer por lotação provisória, redistribuição ou designação de servidores em força-tarefa. O documento pede dotação emergencial e previsão suficiente nos orçamentos de 2026 e 2027, para que o trabalho não dependa apenas de solicitações futuras.
Há dois prazos. A recomendação estabelece 30 dias corridos, contados de seu recebimento, para adotar as providências. Em determinação separada, o MPF requisita resposta escrita sobre o atendimento ou não do documento em 20 dias corridos. A data da divulgação não substitui a do recebimento pelo destinatário na contagem do prazo expressamente vinculado a esse marco.
A recomendação integra o procedimento 1.13.000.001489/2024-17 e foi assinada pelo procurador da República Thiago Coelho Sacchetto. No documento, o MPF registra que o próprio Incra informou que a conciliação agrária no Amazonas era conduzida por uma servidora e dependia de solicitações orçamentárias para continuar suas atividades em 2026. É com base nesse quadro informado no procedimento que o órgão propõe a reestruturação.
Para as visitas preventivas, o texto destaca Lábrea, Boca do Acre, Humaitá e Apuí. A presença em áreas com histórico de tensão permite conhecer as situações concretas e organizar a interlocução antes de seu agravamento. A Câmara de Conciliação Agrária atua em cooperação com instituições de Justiça e movimentos sociais para mapear e mediar controvérsias, receber denúncias e subsidiar a atuação do Incra.
A mediação busca construir uma solução aceita pelos envolvidos, com auxílio de um terceiro que facilita o diálogo. No conflito fundiário, conhecer a situação no território e identificar os interlocutores são condições práticas para essa aproximação. O reforço recomendado é dirigido à estrutura responsável por prestar esse serviço; o documento não resolve a titularidade de uma área nem substitui a apreciação dos litígios concretos pelos órgãos competentes.
Trata-se de uma recomendação do Ministério Público, acompanhada de requisição de informações ao Incra. O MPF acompanhará as medidas adotadas e poderá recorrer às providências administrativas e judiciais cabíveis. O próximo marco é a resposta formal dos destinatários e o conteúdo do plano, que permitirão verificar quais reforços de equipe, recursos e visitas serão efetivamente implementados.
Referências consultadas
- MPF-AM — divulgação da recomendação e contexto da conciliação agrária, 19/10/2026
- MPF — Recomendação 003/2026/14º Ofício/PR-AM, íntegra assinada em 14/10/2026
- Lei de Mediação — Lei 13.140/2015, artigos 1º e 2º

