O Gastômetro do Estadão reúne 46 medidas do governo federal e apresenta um total de R$ 354,3 bilhões na versão consultada em 20 de outubro. A ferramenta soma valores de crédito, subvenções, benefícios, renúncias de receita e programas fora do Orçamento. O resultado expressa o conjunto selecionado pelo jornal, com montantes autorizados ou estimados, e não um extrato de pagamentos já realizados.
A maior parcela está em créditos e subvenções: R$ 180,61 bilhões. Somadas as cinco categorias pelos valores individuais exibidos, a conta chega a R$ 354,34 bilhões, arredondados no painel. O quadro abaixo mantém a classificação do Estadão e mostra exemplos de cada grupo.
Como se formam os R$ 354,34 bilhões
| Categoria do levantamento | Medidas | Valor (R$ bilhões) | Exemplos incluídos |
|---|---|---|---|
| Créditos e subvenções | 23 | 180,61 | Financiamento de veículos para motoristas de aplicativo e taxistas: 30,00; exportadores: 22,00; Minha Casa, Minha Vida reembolsável: 20,00. |
| Benefícios sociais | 6 | 69,57 | Bolsa Família: 28,50; Pé-de-Meia: 18,86; Brasil contra o Crime Organizado: 11,10. |
| Renúncia de receitas | 9 | 68,52 | Isenção e desconto de Imposto de Renda: 31,80; perdão de dívidas de MEIs: 12,86; PIS/Cofins do diesel: 6,70. |
| Programas fora do Orçamento | 7 | 34,80 | Renegociação do Fies: 12,00; Crédito Indústria 4.0: 7,00; dinheiro esquecido nos bancos, no Desenrola: 5,00. |
| Publicidade | 1 | 0,84 | Publicidade da Presidência da República via Secretaria de Comunicação Social. |
| Total | 46 | 354,34 | Soma dos valores individuais apresentados nas cinco categorias. |
Fonte dos dados e das categorias: Gastômetro do Estadão, consultado em 20/10/2026. Os exemplos integram as parcelas de cada linha; não são valores adicionais. As somas foram feitas a partir dos itens do painel, cuja exibição resumida usa arredondamentos.
Crédito, renúncia e despesa têm efeitos diferentes
Uma linha de crédito disponibiliza recursos que devem ser devolvidos conforme as condições do financiamento. Seu valor integral difere do custo do subsídio, que pode decorrer, por exemplo, de juros favorecidos em relação ao custo de captação do governo. Também existem riscos e custos de financiamento. O Ministério do Planejamento e Orçamento distingue esses benefícios creditícios dos financeiros, associados a desembolsos, e dos tributários, que reduzem a receita potencial.
O perdão proposto de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) ilustra a diferença entre grandezas. O Gastômetro incorpora R$ 12,86 bilhões em débitos nominais. Na reportagem, a estimativa atribuída ao governo é de cerca de R$ 3 bilhões de receita recuperável em três anos. A carteira de dívidas abrangida e a arrecadação que se esperava obter medem coisas distintas.
Os períodos também variam. A metodologia do painel inclui 2026 e 2027 para Bolsa Família e proibição das bets, enquanto a estimativa para canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS) cobre um ano. O jornal informa ainda que, após medidas de setembro, passou a considerar os valores reajustados dos programas.
Por que aparecem R$ 269 bilhões e R$ 354 bilhões?
São retratos de momentos diferentes do levantamento. O endereço da reportagem conserva “269 bilhões”, enquanto o título atualizado em 13 de outubro passou a informar R$ 354 bilhões. O total atual corresponde às 46 medidas discriminadas no painel. A diferença entre os dois números envolve atualizações de medidas, valores e recortes; sem uma composição original completa e datada dos R$ 269 bilhões, ela não permite calcular uma evolução homogênea de despesa executada.
A controvérsia sobre o ano eleitoral
O Estadão associa o conjunto de iniciativas à disputa pela reeleição. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), em resposta reproduzida pela reportagem, contesta essa interpretação e afirma que as políticas atendem a objetivos permanentes de educação, segurança, emprego e proteção da economia. Sobre o Brasil contra o Crime Organizado, enquadrado pelo painel em benefícios sociais, a Secom afirma que R$ 10 bilhões são linha de crédito para investimentos em segurança.
A avaliação jurídica depende de cada medida. O artigo 73 da Lei das Eleições restringe o uso promocional de bens e serviços sociais em favor de candidaturas e a distribuição gratuita de benefícios no ano eleitoral. O § 10 prevê exceções para calamidade, emergência e programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior. O total jornalístico, por si, não estabelece uma infração eleitoral.
Referências consultadas
- Estadão — Gastômetro, painel original com medidas, valores e metodologia, consulta em 20/10/2026
- Estadão — reportagem atualizada em 13/10/2026 e resposta da Secom
- Ministério do Planejamento e Orçamento — subsídios tributários, financeiros e creditícios
- TSE — Lei 9.504/1997, artigo 73, inciso IV e § 10

