Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno deste domingo, 25 de outubro, e conquistou seu quarto mandato na Presidência da República. No boletim oficial do Tribunal Superior Eleitoral atualizado às 21h12min18s, Lula somava 64.065.122 votos, ou 51,75% dos válidos, contra 59.723.309 votos de Flávio, equivalentes a 48,25%. A totalização alcançava 99,76% das seções.
A diferença era de 4.341.813 votos. O mesmo boletim registrava 398.622 eleitores nas seções ainda não totalizadas: mesmo que todos os votos restantes fossem destinados a Flávio, a vantagem de Lula permaneceria. O resultado, portanto, já estava matematicamente definido, embora os números finais ainda dependessem da conclusão da contagem.
Os números da vitória
| Candidato | Votos computados | Votos válidos |
|---|---|---|
| Lula (PT) | 64.065.122 | 51,75% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 59.723.309 | 48,25% |
Uma virada entre o primeiro e o segundo turno
Lula chegou ao segundo turno depois de terminar a primeira votação atrás de Flávio. Na divulgação do TSE de 5 de outubro, com 99,99% das urnas apuradas, o candidato do PL tinha 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista. A vitória deste domingo reverte essa ordem e inaugura, nas eleições presidenciais desde a retomada do voto direto em 1989, uma vitória no segundo turno de quem havia ficado em segundo no primeiro.
Com o resultado, Lula passa a acumular quatro vitórias presidenciais — 2002, 2006, 2022 e 2026 — e três derrotas, em 1989, 1994 e 1998. As derrotas para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, ocorreram no primeiro turno; em 1989, Lula foi superado por Fernando Collor no segundo. A chapa vencedora deste ano mantém Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente.
Os governadores eleitos no segundo turno
O segundo turno também definiu os governos de cinco estados e do Distrito Federal. Os boletins oficiais consultados confirmam vantagem matematicamente irreversível dos seis vencedores abaixo. Os percentuais correspondem à situação da totalização em cada unidade, que avançava em ritmos diferentes.
| Unidade da Federação | Eleito(a) e partido | Votos | Válidos | Seções totalizadas |
|---|---|---|---|---|
| Acre | Mailza Assis (PP) | 272.635 | 66,21% | 100,00% |
| Amazonas | Omar Aziz (PSD) | 1.272.062 | 61,41% | 99,82% |
| Distrito Federal | Celina Leão (PP) | 985.439 | 57,18% | 99,86% |
| Espírito Santo | Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS) | 1.151.621 | 52,17% | 99,99% |
| Rio Grande do Norte | Cadu de Lula (PT) | 1.073.024 | 50,77% | 100,00% |
| Tocantins | Vicentinho Júnior (PSDB) | 560.405 | 64,51% | 99,70% |
Mailza Assis mantém o governo do Acre; Omar Aziz vence no Amazonas; Celina Leão permanece à frente do Distrito Federal; Lorenzo Pazolini conquista o Espírito Santo; Cadu de Lula vence no Rio Grande do Norte; e Vicentinho Júnior é eleito no Tocantins. A posse dos governadores e vice-governadores ocorrerá em 6 de janeiro de 2027, um dia depois da posse presidencial.
Liminar do STF pode abrir discussão sobre a validade do segundo turno
A definição nas urnas ocorre em um dia marcado pela intervenção do Supremo Tribunal Federal no horário de votação. O ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação até as 19h; o esclarecimento divulgado ao longo da tarde preservou o encerramento das urnas já fechadas e manteve a extensão nos locais ainda abertos, conforme informou a Agência Senado. O UOL registrou a divulgação de parciais pelo TSE às 17h06, quando o horário prorrogado ainda estava em curso.
Essa sequência pode abrir margem a questionamentos judiciais sobre a regularidade do segundo turno e, conforme a gravidade e a extensão de irregularidades eventualmente demonstradas, sobre sua validade. Entre os pontos passíveis de discussão estão o horário em que as seções receberam a ordem, as oportunidades de voto em locais que permaneceram abertos ou já estavam encerrados e o alcance da circulação de resultados parciais entre eleitores que ainda poderiam votar. Trata-se de uma possibilidade jurídica decorrente dos fatos relatados, e não de uma conclusão judicial já tomada sobre o pleito.
A liminar buscava assegurar o exercício do voto diante de dificuldades de deslocamento. A controvérsia envolve saber se sua execução preservou a isonomia e a liberdade de escolha. Para uma discussão concreta, importam registros de comunicação, atas das seções, horários de encerramento, número de eleitores atingidos e dados sobre a divulgação das parciais. A eventual influência dessas informações sobre votos ainda não realizados exige prova; a simples coexistência temporal não demonstra alteração da vontade do eleitor.
O artigo 219 do Código Eleitoral exige demonstração de prejuízo para o reconhecimento de nulidades. O TSE tem competência para julgar impugnações à apuração geral e à proclamação dos eleitos na disputa presidencial, nos termos do artigo 22, inciso I, alínea g. Eventuais pedidos de invalidação de votações ou de renovação do pleito dependem da via processual adequada, dos prazos e dos requisitos legais aplicáveis. A revisão da liminar e a invalidação de votos são questões distintas: uma decisão sobre a primeira não produz automaticamente a segunda.
Diplomação e posse no calendário institucional
O resultado segue para a conclusão da totalização e os atos de proclamação e diplomação da Justiça Eleitoral. A posse para o próximo mandato presidencial está prevista para 5 de janeiro de 2027, data definida pela Emenda Constitucional 111/2021 e aplicada pela primeira vez a esta eleição. Eventuais contestações terão seus efeitos definidos nas decisões dos órgãos competentes.
Leia também: o alcance da prorrogação da votação e o esclarecimento sobre urnas encerradas; o histórico das eleições presidenciais e das disputas de Lula. A apuração pode ser acompanhada na Sala da Justiça.
Referências consultadas
- TSE — governador de Acre, boletim de 25/10/2026 (19:18:03, horário registrado pela fonte)
- TSE — governador de Amazonas, boletim de 25/10/2026 (20:19:15, horário registrado pela fonte)
- TSE — governador de Distrito Federal, boletim de 25/10/2026 (21:21:32, horário registrado pela fonte)
- TSE — governador de Espírito Santo, boletim de 25/10/2026 (21:10:58, horário registrado pela fonte)
- TSE — governador de Rio Grande do Norte, boletim de 25/10/2026 (21:19:43, horário registrado pela fonte)
- TSE — governador de Tocantins, boletim de 25/10/2026 (21:21:32, horário registrado pela fonte)
- TSE — boletim oficial da eleição presidencial, 2º turno, atualizado em 25/10/2026 às 21h12min18s
- TSE — resultado do primeiro turno, divulgado em 5/10/2026
- Agência Senado — prorrogação até as 19h nos locais com urnas abertas, 25/10/2026
- UOL — primeiros resultados divulgados às 17h06, antes do encerramento prorrogado
- Código Eleitoral — arts. 22, I, g; 219 a 224
- Agência Senado — posse presidencial em 5 de janeiro de 2027
- Folha/Datafolha — quarto mandato e virada entre os turnos, 25/10/2026

