Brasil e Estados Unidos criaram um grupo de trabalho para discutir temas ligados a um possível acordo comercial. A decisão foi anunciada pelo governo brasileiro após reunião realizada em 30 de setembro, em Milwaukee, à margem do encontro de ministros do Comércio do G20.

Participaram Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o comunicado do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a conversa tratou dos principais obstáculos da agenda bilateral.

O que foi definido — e o que ainda falta

ElementoSituação em 1º/10
Grupo de trabalhoCriado para discutir temas relacionados a um possível acordo.
EscopoSerá proposto pelos Estados Unidos nas próximas semanas.
TemasO comunicado menciona questões tarifárias e não tarifárias, sem lista setorial.
CalendárioNão divulgado.
Acordo finalInexistente até o momento; dependerá das negociações e das etapas jurídicas cabíveis.

O próximo passo anunciado cabe ao governo norte-americano: nas próximas semanas, Washington deverá encaminhar um documento com proposta para o escopo dos trabalhos. Até a publicação desta reportagem, não havia cronograma detalhado, lista de setores abrangidos nem minuta de compromissos.

Por que tarifas e barreiras não tarifárias importam

Questões tarifárias afetam diretamente os tributos cobrados na entrada de mercadorias. Questões não tarifárias podem envolver requisitos técnicos, sanitários, aduaneiros ou regulatórios. O comunicado não individualizou medidas nem antecipou concessões de nenhuma das partes.

Para empresas e cadeias produtivas, a abertura da mesa reduz incerteza apenas quanto à existência de um canal de negociação. Os efeitos sobre custos, acesso a mercados ou regras de origem só poderão ser avaliados quando houver propostas concretas.

Negociação não é resultado

A criação do grupo não equivale à conclusão de um tratado, à redução imediata de tarifas ou à retirada de barreiras regulatórias. Ela estrutura uma mesa para definir o que poderá ser negociado. Qualquer consequência concreta dependerá do conteúdo da proposta, da resposta brasileira e das etapas jurídicas e políticas aplicáveis ao instrumento que vier a ser construído.

O encontro deu continuidade ao diálogo iniciado depois de telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto. O MDIC afirmou que os dois governos reconheceram a importância de superar obstáculos e buscar entendimento mutuamente satisfatório. Essa formulação expressa disposição política, não um compromisso material já fechado.

Próximo documento será o primeiro teste

O primeiro marco verificável será o recebimento da proposta norte-americana de escopo. A partir dela será possível saber quais setores, barreiras e procedimentos entrarão formalmente na agenda e se o grupo adotará calendário, consultas internas ou mecanismos próprios de tomada de decisão.

Referências consultadas

  1. MDIC — reunião presencial Brasil–EUA sobre temas comerciais, 30/9/2026
  2. MDIC — listagem oficial de notícias de comércio exterior, consultada em 1º/10/2026
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