Apenas 18% dos eleitores brasileiros avaliam como ótimo ou bom o trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na outra ponta, 47% classificam a atuação como ruim ou péssima, o maior percentual negativo da série do Datafolha, iniciada em 2019. Outros 31% consideram o desempenho regular e 4% não opinaram.

A nova rodada foi divulgada no sábado, 26 de setembro, e realizada com 2.002 eleitores nos dias 22 e 23. A sequência histórica mostra que a piora não foi uma linha reta desde 2019: houve períodos de recuperação. O movimento mais acentuado ocorreu em 2026, sobretudo depois de dezembro de 2025.

O levantamento é diferente das pesquisas sobre o Judiciário noticiadas anteriormente pelo ArquipelJus. Desta vez, a pergunta central trata da avaliação do trabalho dos ministros. A rodada também perguntou quais condutas seriam aceitáveis durante o exercício do cargo, mediu o apoio a um código de ética próprio para a Corte e investigou a percepção dos eleitores sobre o caso Banco Master.

Série histórica: avaliação positiva cai e negativa dispara em 2026

Rodada do DatafolhaÓtimo ou bomRuim ou péssimoDiferença entre positiva e negativa
Dez. 201918%*39%−21 p.p.
Maio 202030%26%+4 p.p.
Ago. 202027%29%−2 p.p.
Jul. 202124%33%−9 p.p.
Set. 202125%35%−10 p.p.
Dez. 202123%34%−11 p.p.
Jul. 202223%33%−10 p.p.
Dez. 202231%31%Empate
Dez. 202327%38%−11 p.p.
Mar. 202429%28%+1 p.p.
Jul. 202529%36%−7 p.p.
Dez. 202532%35%−3 p.p.
Mar. 202623%39%−16 p.p.
Maio 202622%40%−18 p.p.
Set. 202618%47%−29 p.p.

A leitura da série exige cuidado. A avaliação positiva chegou a superar a negativa em maio de 2020 e voltou a ficar numericamente à frente em março de 2024. Em dezembro de 2025, 32% avaliavam os ministros positivamente e 35%, negativamente. Nove meses depois, a parcela positiva perdeu 14 pontos e a negativa ganhou 12 pontos. A distância entre as duas avaliações passou de 3 para 29 pontos percentuais.

A deterioração mais recente aparece nas três rodadas de 2026: a avaliação positiva foi de 32% em dezembro de 2025 para 23% em março, 22% em maio e 18% em setembro. No sentido inverso, a negativa avançou de 35% para 39%, 40% e 47%. Portanto, o dado histórico sustenta a conclusão de piora acelerada, mas não a ideia de uma queda contínua e sem interrupções desde 2019.

Avaliação negativa subiu sete pontos desde maio

Avaliação do trabalho dos ministrosMaio de 2026Setembro de 2026Variação
Ruim ou péssimo40%47%+7 p.p.
Regular34%31%−3 p.p.
Ótimo ou bom22%18%−4 p.p.
Não opinou4%4%Estável

Em maio, 40% avaliavam o trabalho da Corte negativamente, 34% o consideravam regular e 22%, positivo. Na nova medição, a parcela negativa passou a 47%, enquanto a avaliação regular recuou para 31% e a positiva, para 18%. O resultado positivo iguala o menor nível da série, registrado em dezembro de 2019.

A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Ela significa que cada percentual total deve ser lido como uma estimativa dentro desse intervalo, e não como uma contagem exata de toda a população.

Polarização aparece nos recortes eleitorais

GrupoÓtimo ou bomRuim ou péssimo
Eleitores de Lula32%24%
Eleitores de Flávio Bolsonaro6%69%

Entre os eleitores que declaram voto em Lula, 32% avaliam o trabalho dos ministros como ótimo ou bom e 24% como ruim ou péssimo. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, a avaliação positiva é de 6% e a negativa chega a 69%. Como esses grupos são menores do que a amostra total, seus percentuais têm margens de erro próprias, superiores à margem geral em graus que dependem do tamanho de cada segmento.

A pesquisa também perguntou se a atuação do Supremo mais beneficia ou prejudica as candidaturas. Para 33% dos brasileiros, a Corte mais prejudica do que beneficia Flávio Bolsonaro; 23% dizem que Lula é mais prejudicado do que beneficiado. A divulgação consultada não apresenta a distribuição das demais respostas a essa pergunta.

Seis condutas foram submetidas aos entrevistados

O Datafolha apresentou situações hipotéticas e perguntou se cada uma seria aceitável ou inaceitável durante o exercício do cargo de ministro. Em todas as seis, a maioria respondeu que a conduta seria inaceitável.

Conduta submetida à avaliaçãoConsidera inaceitável
Julgar processo de pessoa cujo advogado seja parente do ministro88%
Aceitar convite para evento pago por empresa com ações no STF85%
Decidir para beneficiar ou prejudicar candidato à Presidência durante a eleição82%
Ser sócio de empresa privada durante o exercício do cargo78%
Receber pagamento por palestra de empresa privada78%
Dar entrevista ou opinião pública sobre processo ainda em julgamento71%

Os percentuais expressam o juízo dos entrevistados sobre situações descritas no questionário. Eles não demonstram que determinada conduta tenha ocorrido, não individualizam ministros e não substituem a apuração jurídica de um caso concreto.

Código de ética tem 45% de apoio e 33% de oposição

Posição sobre código de ética para ministrosPercentual
A favor45%
Contra33%
Nem a favor nem contra5%
Não sabe17%

A proposta de um código de ética específico para os ministros recebe apoio de 45% e oposição de 33%. A divulgação detalha 23% totalmente favoráveis e 23% parcialmente favoráveis; a soma aparente de 46% decorre do arredondamento das parcelas, enquanto o resultado agregado informado é 45%. Entre os contrários, 18% são totalmente contra e 15%, parcialmente contra.

O apoio varia conforme o grupo: alcança 53% entre eleitores de Lula e 41% entre os de Flávio Bolsonaro. Também cresce com a renda familiar: é de 39% entre quem recebe até dois salários mínimos e chega a 66% entre pessoas com renda superior a cinco salários mínimos.

A formulação de um código de ética é defendida pelo presidente do STF, Edson Fachin. A ministra Cármen Lúcia foi indicada como relatora da proposta em fevereiro. O código dependerá de deliberação interna da Corte; o resultado da pesquisa não o aprova nem produz, por si só, nova norma de conduta.

Percepção sobre o caso Banco Master

Segundo o levantamento, 77% afirmam ter algum conhecimento das suspeitas que relacionam integrantes do Supremo ao caso Banco Master, ainda que apenas de ouvir falar; 23% dizem não ter tomado conhecimento.

Percepção declaradaPercentual do total
Acredita que há ministros envolvidos68%
Acredita que não há envolvimento2%
Não sabe opinar sobre envolvimento7%
Não tomou conhecimento do caso23%

Em abril, 55% diziam acreditar no envolvimento de integrantes da Corte; agora são 68%. No recorte eleitoral, essa percepção alcança 60% entre eleitores de Lula e 77% entre eleitores de Flávio Bolsonaro.

Por que esta é outra pesquisa

Levantamento já noticiadoPeríodoO que foi perguntadoResultado central
Quaest/Pax12 a 15 set.Atuação do Poder Judiciário na segurança pública23% aprovam; 35% reprovam
Datafolha — confiança15 a 17 set.Grau de confiança no STF e no Judiciário48% não confiam no STF; 38% não confiam no Judiciário
Atlas/Estadão17 a 21 set.Imagem individual de cada ministroCármen Lúcia foi a única com avaliação positiva superior à negativa
Datafolha — avaliação e ética22 e 23 set.Trabalho dos ministros, condutas e código de ética47% avaliam o trabalho como ruim ou péssimo

Os percentuais não formam uma sequência única e não podem ser somados ou comparados como se medissem o mesmo indicador. Confiança institucional, avaliação do trabalho, desempenho em uma política pública e imagem individual dos ministros são perguntas diferentes. A nova rodada é, portanto, um levantamento autônomo, embora trate do mesmo ambiente de desgaste institucional.

Como o levantamento foi realizado

O Datafolha entrevistou presencialmente 2.002 eleitores em pontos de fluxo populacional na terça e na quarta-feira, 22 e 23 de setembro. A margem de erro máxima para o conjunto da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pela Globo e registrada no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (PesqEle) sob o número BR-00304/2026.

A divulgação ocorreu no sábado, 26 de setembro. Assim, a notícia é nova, mas o sábado é a data em que os resultados se tornaram públicos — não o dia em que as entrevistas foram realizadas.

Referências consultadas

  1. Folha de S.Paulo/Datafolha — avaliação do STF, condutas, código de ética e metodologia, 26/9/2026
  2. Correio Braziliense — repercussão da nova rodada do Datafolha, 26/9/2026
  3. TSE — consulta pública de pesquisas registradas no sistema PesqEle
  4. Folha de S.Paulo/Datafolha — rodada de maio usada na comparação histórica, 18/5/2026
  5. Datafolha — relatório com a série histórica de avaliação do STF até julho de 2025
  6. Datafolha — avaliação do STF em dezembro de 2025
  7. Datafolha — avaliação do STF em março de 2026
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