A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou o cumprimento, no Brasil, da condenação imposta pela Justiça italiana ao ex-oficial uruguaio Pedro Antonio Narbondo Mato por quatro homicídios cometidos na Argentina, em 1976, durante a Operação Condor. O julgamento foi encerrado em 21 de outubro, e o tribunal divulgou seus fundamentos em 26 de outubro de 2026.

Por maioria, o colegiado homologou a sentença estrangeira e determinou a execução imediata. Como a Constituição brasileira proíbe penas perpétuas, a condenação foi adaptada para 30 anos de reclusão, pelo limite do Código Penal anterior à alteração de 2019, mais favorável ao condenado. O ato confirmado é a ordem de execução, sem informação de cumprimento da prisão nas fontes consultadas.

O processo é a Homologação de Decisão Estrangeira 8.001. Narbondo foi reconhecido como brasileiro nato pela Justiça Federal em 2003, por ser filho de brasileira. Essa condição impede sua extradição. O procedimento permite executar no país a condenação estrangeira, preservando a proibição constitucional de entregar brasileiros natos a outro Estado.

Prevaleceu o voto do relator, ministro Sebastião Reis Júnior. A defesa invocou a Lei da Anistia e alegou impedimento decorrente de julgamento anterior pelos mesmos fatos. O colegiado afastou os argumentos: o relator não identificou absolvição ou condenação anterior distinta da sentença italiana e aplicou a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre graves violações.

Segundo o entendimento adotado, a Convenção Americana de Direitos Humanos impede utilizar anistia ou prescrição para obstar a responsabilização nessas circunstâncias. O relator reconheceu a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a Lei da Anistia na ADPF 153, mas considerou necessário verificar também a compatibilidade da lei com a convenção internacional. O julgamento resolve a homologação e a execução dessa condenação.

A Operação Condor articulou estruturas de repressão de ditaduras sul-americanas para perseguir opositores além das fronteiras nacionais. Segundo a sentença reconhecida, os crimes envolveram quatro cidadãos italianos mortos na Argentina. A condenação na Itália tornou-se definitiva em julho de 2021.

A Corte determinou o envio dos documentos à Justiça Federal em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, para execução da pena. Caberá ao juízo responsável examinar o pedido da defesa de prisão domiciliar, fundado na idade e na saúde do condenado.

Referências consultadas

  1. STJ — fundamentos da homologação, divulgação de 26/10/2026
  2. MPF — ordem de cumprimento da pena, 22/10/2026
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