Integrantes das torcidas Bamor, do Bahia, e Os Imbatíveis, do Vitória, concluíram em 29 de outubro uma formação do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) para atuar como facilitadores em Justiça Restaurativa. A proposta prevê agora uma etapa prática: os participantes deverão realizar cinco Círculos de Construção de Paz em seis meses, trabalhando em duplas.
Da formação à atuação nas comunidades
A capacitação começou em 21 de outubro e terminou no dia 29. O curso reuniu torcedores e teve como convidados representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar, Federação Bahiana de Futebol e dos dois clubes. As atividades trabalharam ética, escuta, diálogo e prevenção de conflitos no contexto esportivo.
O compromisso de realizar círculos depois das aulas dá continuidade à iniciativa: a aplicação das práticas nos seis meses seguintes é uma etapa prevista, ainda a ser executada. O comunicado do Tribunal apresenta o objetivo de identificar fatores de risco e trabalhar conflitos antes que se convertam em confrontos.
Preparação articulada pelo Judiciário
O projeto havia sido apresentado em setembro, em encontro com torcidas, clubes e instituições públicas. A formação foi promovida pelo Núcleo de Justiça Restaurativa de 2º Grau e pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) Restaurativo da Lapinha.
Na etapa encerrada em outubro, a equipe docente foi composta pela juíza Maria Fausta Cajahyba Rocha, titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Salvador, e pelos facilitadores Expedito Carlos Lopes, servidor aposentado do TJBA, e Jaklane de Souza Almeida, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. A desembargadora aposentada Joanice Guimarães participou do último dia.
O que os círculos podem produzir
A política nacional de Justiça Restaurativa distingue a construção de soluções consensuais do julgamento de um processo. Pela Resolução 225, as práticas podem ocorrer antes da judicialização ou em paralelo ao processo convencional, com efeitos examinados conforme o regime jurídico de cada caso.
O facilitador conduz o ambiente de escuta; os participantes constroem as respostas possíveis. A norma protege o consentimento e a confidencialidade e admite planos de ação voltados à prevenção de novos conflitos. No projeto baiano, o resultado concreto a acompanhar será a realização dos cinco círculos previstos após a capacitação e a continuidade das ações de prevenção no ambiente das torcidas.
Referências consultadas
- TJBA — conclusão da formação e etapa prática, 29/10/2026
- TJBA — apresentação do projeto em setembro
- CNJ — Resolução 225/2016, artigos 1º, 2º, 8º e 12

