O choque do primeiro pregão não foi seguido por uma recomposição das perdas da Bolsa. Nos quatro pregões depois de 26 de outubro, o Ibovespa recuou mais 4,92%, calculados sobre o patamar em que já havia encerrado o dia da reação eleitoral. No dólar, houve um alívio no dia seguinte, mas ele não se sustentou até o fim da semana. É essa trajetória, agora observável, que acrescenta uma nova leitura à cobertura inicial.
A Bolsa terminou cada um dos quatro pregões seguintes abaixo da véspera
A recuperação parcial ocorrida dentro da sessão de 26 de outubro não se transformou em recuperação nos fechamentos seguintes. O índice terminou o dia 27 em 175,7 mil pontos e chegou a 167,9 mil na sexta-feira, dia 30. As perdas diárias foram menores que as do primeiro dia, mas se acumularam.
| Pregão encerrado | Ibovespa | Variação no dia |
|---|---|---|
| 26/10 — referência da primeira cobertura | 176.608 pontos | −13,88% |
| 27/10 | 175.710 pontos | −0,51% |
| 28/10 | 171.006 pontos | −2,68% |
| 29/10 | 169.186 pontos | −1,06% |
| 30/10 | 167.922 pontos | −0,75% |
A primeira semana pós-eleição fechou com queda total de 18,12%, segundo a Agência Brasil. O dado relevante para esta continuação é que parte da perda ocorreu depois do impacto registrado na primeira notícia. Até 30 de outubro, portanto, a sequência de fechamentos não mostrava um piso consolidado.
No dólar, a correção do dia 27 teve duração curta
O câmbio seguiu um caminho diferente do da Bolsa. Depois do fechamento perto de R$ 5,40 em 26 de outubro, o dólar recuou para R$ 5,349 no dia 27. Na sexta-feira, porém, voltou a subir e encerrou a R$ 5,446 na referência divulgada pela Agência Brasil. O alívio cambial de uma sessão não se converteu em retorno ao patamar anterior à eleição, que estava abaixo de R$ 5.
| Momento | Referência do dólar | Leitura da sequência |
|---|---|---|
| 26/10, fechamento noticiado pelo ArquipelJus | Perto de R$ 5,40 | Alta forte, já reduzida em relação ao pico intradiário |
| 27/10, fechamento | R$ 5,349 | Correção no pregão seguinte |
| 30/10, fechamento | R$ 5,446 | Retorno da pressão sobre o real |
| 03/11, às 15h45 | R$ 5,4922 | Registro parcial ainda acima do primeiro fechamento pós-eleição |
O começo de novembro ainda não trouxe uma reversão
Após o feriado de Finados, o mercado voltou a operar nesta terça-feira (3). Às 15h45, o Ibovespa estava perto de 165,5 mil pontos, em queda de 1,44% no dia. Nessa fotografia, a Bolsa se encontrava aproximadamente 6,3% abaixo do fechamento de 26 de outubro. A comparação é parcial: o pregão de hoje ainda estava em andamento naquele horário.
A leitura possível até esse registro é de continuidade da pressão, em uma escala diária menor que a do primeiro impacto. Acomodação exige uma observação mais longa e pode ocorrer em um nível inferior ao de antes da votação. Também não se pode concluir, a partir desses poucos pregões, que as perdas serão permanentes.
A revisão das expectativas alcançou 2027
Outra informação nova veio no Focus divulgado em 3 de novembro. As projeções de mercado para o próximo ano pioraram na comparação com o levantamento anterior. O movimento amplia o foco da análise: os agentes também reavaliaram o cenário econômico à frente.
| Projeção para 2027 | Levantamento anterior | Focus de 03/11 |
|---|---|---|
| Inflação — IPCA anual | 4,34% | 4,76% |
| Selic no fim do ano | 11,75% | 12,50% |
| Crescimento do PIB | 1,31% | 1,20% |
A reação financeira convive com sinais diferentes na economia
O período também trouxe um contraponto: o leilão de transmissão de energia de 30 de outubro teve todos os oito lotes arrematados, com R$ 8,88 bilhões em investimentos estimados e deságio médio de 50,1%, conforme a EPE.
Esse resultado indica interesse em projetos específicos durante a semana de queda da Bolsa. Não mede toda a atividade econômica nem elimina a pressão financeira. Ajuda, porém, a evitar que o comportamento de um indicador seja apresentado como retrato suficiente de todos os investimentos.
O que observar depois desse primeiro balanço
O governo contesta o temor dos investidores. Nesta terça-feira, Dario Durigan defendeu um ajuste fiscal gradual e afirmou que as discussões em curso não justificam essa reação. A declaração integra a informação disponível depois da cobertura inicial; seus efeitos ainda precisam ser acompanhados nos dados e nas decisões concretas.
A decisão do Copom de 4 de novembro e sua comunicação serão as próximas referências imediatas. O resultado eleitoral é parte da explicação do ajuste, mas novas informações fiscais, monetárias e externas continuaram chegando ao longo do período. Não é possível atribuir toda a variação posterior exclusivamente à votação.
O balanço até aqui acrescenta duas constatações à primeira notícia: a Bolsa ampliou a perda depois do choque, e o dólar não sustentou o alívio do dia seguinte. A estabilização ainda precisa aparecer na sequência dos preços e das expectativas; a economia real, por sua vez, deve ser acompanhada por seus próprios indicadores.
Referências consultadas
- ArquipelJus — primeira cobertura da Bolsa, 26/10/2026
- ArquipelJus — primeira cobertura do dólar e dos contratos, 26/10/2026
- Investing.com — fechamentos diários do Ibovespa
- Agência Brasil — ajuste do câmbio e da Bolsa em 27/10/2026
- Agência Brasil — balanço da semana encerrada em 30/10/2026
- CNN Brasil — cotações parciais de 03/11, às 15h45
- Reuters — revisão das projeções do Focus, 03/11/2026
- CNN Brasil — posição de Dario Durigan sobre ajuste fiscal e reação dos investidores
- EPE — resultado do Leilão de Transmissão nº 4/2026
- Reuters — perspectivas para os juros e o crédito no pós-eleição
- Banco do Brasil/Broadcast — fechamento anterior à eleição, em 23/10/2026

