A 16ª Semana Nacional da Execução Trabalhista movimentou R$ 6,1 bilhões entre 14 e 18 de setembro, segundo balanço divulgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na noite de 23 de setembro. A mobilização reuniu 90.159 audiências, 24.675 acordos homologados e 563 leilões em todo o país.

As conciliações responderam por mais de R$ 1,55 bilhão. O dado evidencia o papel da negociação na fase em que o direito já foi reconhecido, mas a obrigação ainda precisa ser convertida em pagamento efetivo. Nessa etapa, o acordo pode definir prazo, forma de quitação, garantias e alcance da extinção do processo.

Conciliação é a maior rubrica individual do balanço

ComponenteValor divulgado pelo TST
AcordosMais de R$ 1,55 bilhão
AlvarásR$ 1,73 bilhão
Precatórios e requisições de pequeno valorR$ 580,5 milhões
Valores previdenciários e fiscaisR$ 429 milhões
LeilõesR$ 125,5 milhões
Alvarás expedidos e ainda não pagosR$ 1,03 bilhão
Outros valores arrecadados e bloqueadosR$ 656,9 milhões

As rubricas não são equivalentes. Um acordo homologado encerra ou reduz uma controvérsia, mas pode prever pagamento futuro ou parcelado; um alvará expedido pode ainda depender do levantamento; um bloqueio preserva patrimônio, mas não significa liberação imediata ao credor. A leitura correta do balanço exige manter essas etapas separadas.

O número de acordos também não permite calcular um valor médio confiável. O TST divulga o total financeiro das conciliações e a quantidade geral de acordos, mas o conjunto reúne processos individuais e coletivos muito diferentes, inclusive ajustes de grande valor que beneficiam centenas de pessoas.

Casos antigos e acordos coletivos mostram diferentes escalas

Entre os exemplos, o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região encerrou por acordo de R$ 500 mil um processo que durava 35 anos. No Mato Grosso, a venda de um imóvel por R$ 3,137 milhões viabilizou o pagamento de 67 credores da Cerâmica Dom Bosco, muitos com ações em tramitação havia mais de três décadas.

Na Bahia, um acordo entre Petrobras e o sindicato da categoria alcançou valor bruto de R$ 193,27 milhões, já incluídos encargos previdenciários e fiscais, para 761 trabalhadores. Em Minas Gerais, a Caixa firmou ajuste de R$ 1,66 milhão com 164 trabalhadoras em execução sobre intervalo previsto antes da reforma trabalhista.

Volume regional não é sinônimo automático de eficiência

A movimentação financeira ficou concentrada nos maiores tribunais. O TRT da 1ª Região, no Rio de Janeiro, liderou com R$ 1,54 bilhão; vieram depois o TRT-2, em São Paulo, com R$ 892,5 milhões, o TRT-3, em Minas Gerais, com R$ 816,1 milhões, o TRT-5, na Bahia, com R$ 654,1 milhões, e o TRT-15, em Campinas, com R$ 474,3 milhões.

A comparação descreve volume, não desempenho isolado. Cada regional tem acervo, população atendida, perfil econômico, quantidade de grandes devedores e valor médio das causas distintos. Avaliar efetividade demanda relacionar o resultado ao estoque de execuções, ao tempo de tramitação e ao montante efetivamente liberado aos credores.

Próximo teste é a efetividade fora da semana concentrada

O Conselho Superior da Justiça do Trabalho também lançou um portal renovado da execução, com orientações para acompanhar processos, informações para empresas, boas práticas e canal de atendimento. A utilidade da medida dependerá da atualização dos dados e da capacidade de transformar linguagem institucional em orientação acionável para credores e devedores.

Depois do esforço concentrado, o teste será manter a localização de ativos, a negociação qualificada e a liberação dos valores ao longo do ano. Novos balanços deverão separar com consistência o que foi pactuado, bloqueado, expedido e efetivamente pago, para que o impacto sobre o acesso à Justiça possa ser medido sem inflar resultados ainda pendentes de conclusão.

Referências consultadas

  1. TST — Justiça do Trabalho movimenta mais de R$ 6 bilhões durante a Semana Nacional da Execução Trabalhista, 23/9/2026
  2. CSJT — portal da Execução Trabalhista
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